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sexta-feira, 8 de maio de 2009

Dia seguinte

Este post dá sequencia ao relato do caso de PP, que está no final desta página.

Terminada a cirurgia, eu e minha filha voltamos pra casa e tentamos dormir. Coladas ao telefone, rezando para que ele não tocasse no meio da noite. Felizmente não tocou. Não ter notícias no meio da noite era o primeiro bom sinal.

Visita à UTI só às 11h. Chegamos ao hospital bem antes daquele horário e levamos o primeiro susto, logo esclarecido. O nome ainda “não estava no sistema”. Pelo menos constatamos que “não houve nenhum óbito”. Abordando uma funcionária que transitava pelos elevadores, soubemos que não ocorreram intercorrências durante a noite.

Nos identificamos, apresentando documentos e subimos ao quarto andar do Departamento Cirúrgico, onde vestimos roupas esterilizadas, iguais aos do pessoal que trabalha no local: avental, protetores para os sapatos e touca para os cabelos. Lavamos e limpamos as mãos com álcool.

Uma auxiliar de enfermagem nos conduziu escada acima, levando-nos à sala isolada, onde demos com o PP muito inchado e branco, com uma bandagem larga cobrindo a cabeça raspada. Parecia ressonar serenamente. Não movia um músculo. Tubo na boca e sonda na bexiga. Passamos meia hora observando a parafernália de aparelhos ligados a ele, sem entender nada daqueles números que ora piscavam, ora apitavam. Como tinha mais uns três pacientes igualmente graves no mesmo setor, custávamos a saber de quem era o sinal sonoro. Tampouco o que significavam. Todos que ali estavam tinham feito cirurgia neurológica na cabeça e estavam em situação grave.

Tampouco sabíamos quem eram aquelas pessoas de verde claro ou branco que circulavam. Enfermeiras, auxiliares, médicos, residentes ou simples estudantes. Muita gente que ia e vinha silenciosamente, ajustando aparelhos, trocando frascos de soro, repondo sangue de transfusões que a maioria recebia.

Saí dali atordoada, depois de ouvir o boletim médico, sem entender quase nada. Única coisa que pudemos constatar foi que ele continuava vivo.

Ele venceu a fase crítica de 12 horas. Próximas etapas: 24 e 48 horas.
Palavras duras que ouvimos naqueles dias:
“Ainda estamos lutando pelo empate,”
“Caso dele é extremamente grave.”

3 comentários:

M@r Giov@nia disse...

É Suely,eu vivi isso.Desde a tal escada que conduzia a UTI,até tentar entender cada aparelho,e te falo que no fim de 25dias eu sabia dizer como estava pressão,batimentos cardíaco,temperatura e até mesmo a medicação que estava no soro.
A única coisa que eu nunca soube,foi entender o pq de tanta frieza com que os "profisionais" lidam com a família.

Elaine disse...

É verdade a frieza desses "profissionais" é lametável, sofri demais pois meu esposo tbem sofreu avci (irei portar)e um suposto doutor me falou barbaridades. Mas estamos aí superando dia após dia.
Beijos

Anônimo disse...

Muito difícil mesmo, Elaine. Acho que vestem uma armadura de insensibilidade para enfrentar esta luta diária pela vida dos pacientes (prefiro ver deste modo). Falta maturidade, falta discernimento, falta coração para muitos. Mas felizmente não são todos. Problema é que essas lembranças duras nos machucam definitivamente.
Suely

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