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quinta-feira, 21 de maio de 2009

Lutar sempre - Pensar positivo

Um passinho de cada vez, muito lentamente...

Esta semana tivemos uma notícia maravilhosa. A mãe de nossa amiga e participante da comunidade do Orkut dos Sobreviventes do AVC, a Senhora Marques, depois de um ano e 42 dias em coma, manifestou uma reação, abrindo um olho. E ela ficou meia hora com o olho aberto.

Para muitos pode parecer pouco, ou quase nada. Haverá quem ache que é apenas um reflexo mecânico. Eu acredito em milagres, em um tempo para cada coisa. Em resposta de Deus a tantos cuidados, orações e ações. Milagre da Medicina e de Deus. Milagre do amor familiar.

Com meu marido foi assim.
Um dia abriu um olho. Muito de leve... Contaram que um médico da UTI viu. Demorou para que testemunhássemos esse momento. Um dia isso aconteceu. E às vezes por um ou dois minutos apenas, de levinho, uns 2 milímetros. Até que um dia, o encontramos de olhos bem abertos. Mas eles não mexiam nada. Disseram que era "coma vigil". Na hora pensamos que o termo viesse de vigio, vigiar, que estivesse agora em vigília. Depois, soubemos que o termo se aplicava a um estado vegetativo.

E assim foi, alguns dias em que os olhos abriam... Muitos dias sem nenhuma reação, nenhum músculo se mexia.
Até que, um dia, ele começou a piscar. Piscava os dois olhos, não sabíamos se era reflexo. Falávamos: "se está nos ouvido ou vendo, pisca". E ele piscava. A gente não sabia o que estava acontecendo, mas conversávamos direto. O olhar era parado, as pupilas não se mexiam. E também raramente reagia a estímulos. Às vezes, quando os médicos testavam, dando um cutucão com caneta nos pés, parecia que alguns músculos se mexiam. Sinal de reflexo muito remoto e ainda incerto.

Certo dia, ao pedirmos para piscar um olho para sim e os dois olhos para não, ele reagiu. Em seguida, percebemos um ligeiro tremor no polegar direito. Parecia que queria se mexer. Segurávamos a mão dele, o ensinávamos a fazer sinal de positivo. Certo dia, o dedão começou a se mexer sozinho.  

Mas essa recuperação foi interrompida por uma pneumonia. Havia também crises de "desautonomia, controlada com psicotrópicos. Surgiu uma febre, entraram com antibióticos e outras medicações. E ele voltou a ficar inerte. Foram uns oito dias sem nenhuma resposta. Depois disso, recomeçamos tudo outra vez. De novo, um dia com as pestanas entreabertas, mas não conseguia mais piscar. 
Não sei quantos dias se passaram para voltar a reagir. Até que um dia, ao chegarmos para a visita da tarde, encontramos a médica plantonista sorridente. Ela disse: 
Nao via a hora de vocês chegarem. Sr Paulo acordou. Eu vi, eu testemunhei. Ele estava com os olhos abertos e falei: "aperta minha mão", e ele apertou. Não acreditei e pedi: "se está escutando, aperte duas vezes". E deu pra sentir. Ele apertou duas vezes. Fazemos esse teste todos os dias, com todos os pacientes em coma. Fiz automaticamente, nunca imaginei... Mas ele está recuperando a consciência.

Aquela notícia foi uma das mais felizes que já recebi. Aconteceu no 35 dia após a cirurgia.
Esse fato aconteceu numa sexta-feira, ao concluirmos tratamento de três semanas, três quintas-feiras, através da Casa Apométrica. 
Sabíamos que aconteceu, acreditamos. Mas ainda demorou quase uma semana para que pudéssemos testemunhar reação semelhante. Afinal, eram apenas 2 visitas por dia, de meia hora...  Mas, um dia, vimos! Ele passou a piscar regularmente. Não mais um olho, mas piscava duas vezes seguidas os dois olhos. Um dia, novamente levantou o polegar... No outro dia, apertou a mão... e dali a uma semana, conseguiu erguer o braço até o cotovelo.  Mas, de repente, alguma coisa acontecia... e  a situação era de dois passos pra frente, um escorregão e três para trás. Até que passamos a uma fase em que eram sempre passos para frente, quase sempre.

Entretanto, o percurso continuou difícil por um longo tempo.  O passo seguinte: deixar a semi-UTI. Uma vitória, um progresso e tanto. Mas uma insegurança enorme. E agora? Confesso que fiquei apavorada. A psicóloga conversou comigo, me orientou a ver o lado positivo, da melhora.  Mas, e agora? E se houvesse uma emergência? Como monitoraríamos o tempo todo, se as enfermeiras só passam para dar remédios e fazer higiene?

Só mesmo vivendo essas situações para termos uma ligeira idéia... Depois daquele dia, foram muitos e muitos lentos, pesados e exaustivos passos... com muitos sustos, uma convulsão,  mais algumas pneumonias...

Suely

2 comentários:

Anônimo disse...

Suely, meu pai sofreu um AVCH após um traumatismo craniano e a recuperação dele esta muito parecida com a do seu marido, hoje ele está em casa após 4 meses no hospital e já está falando algumas coisas desconexas, não consegue se movimentar ainda, mas nós ja temos uma vitória que foi a chance que Deus deu de uma vida nova dada ao meu pai e a nossa família.

Fica com Deus.


Francisco Alexandre

Anônimo disse...

Suely, estou vivendo situação semelhante e a cada palavra que li de seu depoimento, me impressionei porque senti da mesma forma. Se possível, gostaria que voce me contasse como foi o desfecho do caso, para que eu possa ter um estimulo a mais, alem das inumeras oracoes as quais tenho feito. Muito Grata. abraços

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