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segunda-feira, 27 de junho de 2016

AVCI de tronco aos 59 anos

Meu nome é Jefferson tenho 33 anos. Decidi descrever o caso do meu pai porque acho pouquíssimas informações na literatura sobre AVCi de tronco cerebral e o processo de recuperação dos pacientes acometidos por lesões que afetam esta parte do cérebro. Os comentários das pessoas que possuem familiares com este tipo de AVC acabam sendo a principal fonte de informação disponível na internet.
Meu pai tem 59 anos de idade, era diabético, tinha pressão alta, mas tinha alimentação controlada, tomava medicação regularmente, fazia exercícios, não bebia e não fumava. Levava uma vida fisicamente saudável, embora fosse um pouco ansioso e estressado. No dia 29/01/2016 foi encontrado pela minha irmã no seu escritório que fica em casa. Ele estava inconsciente, com os olhos abertos, sem responder a estímulos e salivando bastante. O Samu foi acionado, no momento o socorrista já suspeitou de um AVC e falou que ele estava no último grau de asfixia. Foi levado ao hospital onde foi feito uma tomografia que descartou a possibilidade de um AVC hemorrágico. Na UTI, foi entubado, traqueostomizado, deixado sedado por dois dias, onde foi confirmado o AVC isquêmico de tronco depois de realizadas algumas tomografias e angio-tomografia. Um trombo havia interrompido o fluxo sanguíneo da artéria basilar e foi observada uma grande área de infarto na região superior esquerda (3 x 1,5 cm) no tronco cerebral. 
No quarto dia de UTI, retiraram os sedativos e ele começou a acordar mas ficava somente com os olhos abertos, sem interagir. A lesão deixou ele sem capacidade de deglutição e ele quando ele foi encontrado, a salivação era reflexo da broncoaspiração, por conta disso desenvolveu uma pneumonia. 
Permaneceu na UTI por 12 dias e foi transferido para apartamento onde permaneceu por mais 28 dias. A lesão não comprometeu sua capacidade respiratória e cinco dias depois de transferido para o apartamento deixou de receber oxigênio complementar. Começou a fazer tratamento fisioterápico e fonoaudiologia ainda no hospital. Atualmente encontra-se em casa aos cuidados, principalmente de minha mãe, e da equipe multidisciplinar do homecare.
Ao chegar no apartamento, ainda no hospital, meu pai não apresentava qualquer movimento de membros ou qualquer resposta à estímulo. Apresentava estrabismo, ou seja, cada olho apontava para direção diferente, sem qualquer sincronia. Estava completamente inconsciente. À medida que os dias foram passando, com conversas com a equipe médica, e com leitura de textos, artigos científicos que reportam estudos de caso, assistindo ao filme “O escafandro e a borboleta” e outros vídeos presentes no youtube, passei a adotar a estratégia da comunicação com os olhos.
Com o passar do tempo, meu pai passou a responder a alguns estímulos simples orientados, como olhar para cima, olhar para baixo e piscar o olho. Quando eu tento associar alguma destas resposta a palavra sim ou não ele não acompanha. Por exemplo, para cima quer dizer sim, para baixo quer não. Ao ser questionado se está com frio, se está com fome, se reconhece a minha voz, ele não faz o movimento correspondente com o olho respondendo sim ou não, embora é capaz de olhar para cima ou para baixo quando eu peço para ele olhar.
Pelo que andei lendo, a parte do tronco afetada no meu pai envolve uma região denominada de "sistema de ativação reticular". Esta região é responsável pela consciência lógica da pessoa, ou seja, meu pai recebe os estímulos, mas não é capaz de processar a informação.
Ao chegar no apartamento do hospital, meu pai estava completamente paralisado, depois começou a apresentar alguns movimentos incomuns de braços, pernas e pescoço (não eram de descerebração, segundo os fisioterapeutas e médicos) que foram se intensificando ao longo do tempo e que hoje apresentam-se de maneira cada vez menos constante. Diariamente, ocluímos o traqueóstomo e ele passa em média 10 horas por dia com ele obstruindo e respirando pelo nariz. 
Ainda está se alimentando por sonda enteronasal embora a médica tenha autorizado a gastrostomia (GTT) algumas semanas depois que ele chegou em casa.
Ele não fez a GTT quando ainda estava no hospital porque estava correndo risco de pegar uma nova pneumonia uma vez que seu sistema imunológico estava bastante fraco. Vamos leva-lo para o hospital em breve para ele fazer o procedimento. Estamos aguardando apenas a recuperação de uma escara que ele “ganhou” nos poucos dias que esteve na UTI. O início do tratamento em casa foi difícil. Por conta do AVC no tronco a fisiologia do organismo se altera bastante. Esta região controla muitas funções e como meu pai é diabético a insulina dele estava completamente descompensada.
Mas atualmente todos os parâmetros (glicemia, temperatura, respiração e frequência cardíaca) estão cada vez mais controlados, uma vez que está recebendo todos os medicamentos e uma alimentação mais adequada. Hoje, dia 14 de maio, um pouco mais de 3 meses do AVC meu pai permanece recebendo estímulos, mas sem conseguir interagir de forma lógica. Quando alguém entra no quarto acompanha o movimento da pessoa com os olhos. Pelas leituras que andei fazendo, todas as perdas (movimento, fala, deglutição, atenção) é reflexo da lesão que ele teve, ou seja ocorreu a interrupção da comunicação cerebral.
A fisioterapia, a fonoaudiologia, a interação (musica, tv, diálogos) com ele irá estimular o cérebro a buscar novas conexões. É como se uma grande avenida estivesse bloqueada por conta de um grande buraco na pista e os motoristas buscassem as ruas vizinhas para chegar do outro lado.
Assim funciona o cérebro, quando ocorre a lesão o caminho da mensagem pode ser alterado, passando pelos neurônios vizinhos. Mas tudo tem limite, às vezes o buraco na pista é tão grande que pega a rua principal e as ruas vizinhas.
Cada caso é um caso, o importante é estimular o paciente diariamente e é o que estamos fazendo. Não sabemos se meu pai voltará a se comunicar de maneira lógica com a gente, quais serão os ganhos que ele terá, mas desejamos que a sua recuperação traga a ela a melhor qualidade de vida o possível. Um dia de cada vez. É muito importante que neste momento a família não cultive sentimentos de desespero e revolta. Encarar o problema de frente e trabalhar para a recuperação do paciente é a melhor solução. 
Em casa somos espíritas e temos o “nosso entendimento” para o processo de provação que estamos passando. Entretanto, independente de religião, temos ter em mente que tudo que acontece em nossas vidas tem o consentimento de Deus e que embora todo este processo seja bastante doloroso ele tem um propósito maior. Percebemos que chegou o momento de exercitar verdadeiramente a nossa fé.

Um comentário:

Paula santos disse...

Que bom q no seu caso o seu "PAI" sobreviveu né, a minha mãe teve um avc no TRONCO também no dia 25/12/2016 e eu ainda busco muitas respostas por que não consigo entender ficou na cti depois foi transferida para a uti, e os médicos ums derão esperanças e outros não estou tão confuza, ela teve uma trombose na perna e ja tinha subido pro pulmão não sei se isso teve alguma coisa a ver, nós iamos todos os dias vê-la cedo e tarde o medico tirou a sedação dela na terça-feira, na quinta no fomos vê-la nós conversamos com ela mesmo ela sem reação nenhuma derrepente ela estava chorando saiu lágrimas dos olhos mesmo fechado na sexta feira após a visita vim pra casa, me ligarão do hospital e meus irmãos qnd chegou lá o medico deu a noticia q ela tinha falecido e um dos meus irmão foi reconhecer o corpo e disse q ela estava com o rosto cheio de sangue não sei ao certo oq aconteceu isso foi no dia 30/12/2016 sei q no velório ela estava com uma cara de choro, e não e não estava com aquela expreção no rosto qnd estava no hospital fico pensando sera q ela sofreu, chorou ou sera q simplesmente eles desligarão os aparelhos dela aff, como doí...tinha apenas 63 anos
eu num tive nem a chance de se despedir...

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