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sábado, 6 de junho de 2009

De salto alto outra vez

Minha história de AVC:

Meu nome é Adriane, sou viúva, tenho 43 anos, e tive AVC hemorrágico aos 42 anos no dia 29.07.2008. Moro em Juiz de Fora – MG, mas nasci em Erechim - RS

Os sintomas pré AVC já faziam parte da minha vida: dor de cabeça e na nuca, tonturas, visão distorcida, dormência no lado esquerdo do corpo e câimbras mas como os desconhecia só descobri tudo depois, fui em oftamologista e cardiologista, mas dentro dessas especialidades os exames pareciam normais.

Um ano antes do AVC minha vida estava no auge do estresse e cansaço: trabalhava das 08.00 às 18:30, saía do serviço e ia para a faculdade onde fazia o curso de Ciências Contábeis> Minhas aulas começavam 19:00 horas e terminavam 22:30, chegava em casa e ia dormir por volta da 1 hora da madrugada, pois gostava de chegar em casa e conversar e lanchar com meu filho. Obviamente ainda dava uma arrumada na casa.

Finais de semana ia a festas e shows, e nos domingos estudava. Nessa correria toda e como estava viúva há 4 anos, comecei a sentir falta de ter um companheiro, um namorado. Comecei a sair com um amigo da minha irmã e meu cunhado e bem no dia que resolvemos começar a namorar aconteceu o AVC.

Eu havia sentido dores de cabeça forte durante o dia no serviço, tomei Dipirona e ao chegar em casa tomei um banho e como estava de férias da faculdade eu e meu futuro namorado resolvemos sair para comer uma pizza e dar início ao namoro. A última coisa que lembro é eu levantando do sofá para ir buscar a bolsa para sairmos, sentir uma fortíssima dor de cabeça e tontura, caí para trás desmaiada e depois acordar 10 dias após num hospital.

O rapaz que estava comigo ligou para minha irmã perguntando se eu era epilética, minha irmã disse que não e ele disse então vem para a casa dela que está acontecendo alguma coisa com ela e eu não sei o que é, minha irmã mora a 2 quadras do meu apartamento, veio correndo e quando entrou em minha casa me viu deitada no sofá desmaiada

Ela disse para o Paulo (rapaz que estava comigo), chama o SAMU. Para minha sorte em 20 minutos a ambulância chegou e fui atendida rápido pelos paramédicos. Ao chegar no hospital tive parada cardiorrespiratória e os médicos não conseguiam descobrir o que estava acontecendo comigo, chegaram a cogitar se eu havia tentado o suicídio ou tomado alguma mistura de remédio para emagrecer.

Nessa fase os médicos disseram a meus familiares: ela tem 5% de sobreviver, não estamos conseguindo reanimá-la, de repente eu voltei e os aparelhos avisavam que eu estava respirando e com os sintomas vitais voltando, fizeram a tomografia onde foi detectado o AVC hemorrágico.

Fiquei 10 dias na UTI em coma, acordei no 11º dia no quarto de hospital, com minha irmã me olhando e perguntando: “ Você lembra do que aconteceu?”, eu respondi que não, tentei levantar e ela me segurou dizendo “calma que você tem que ir devagar”, ela chamou a enfermeira para chamar o médico para avisar que eu havia acordado. Quando o médico neurologista começou a conversar comigo e explicar o que aconteceu fiquei surpresa, pois a memória eu havia perdido parcialmente, havia ficado alguns buracos na minha vida e ele disse que aos poucos eu voltaria ao normal, até a andar normal.

Fiquei 1 mês andando somente de cadeiras de rodas no hospital, depois aos poucos fui me reabilitando com a fisioterapia também, nesse período no hospital eu não conseguia tomar banho sozinha e nem me vestir, pentear, faltava coordenação motora e por vezes caí da cama quando tentava levantar para ir ao banheiro, sempre fui extremamente independente, tudo isso para mim era uma tortura.

Fiz exames de cateterisma e angioplastia até finalmente os médicos darem o veredicto que poderia ser realizada a cirurgia pela virilha, pois até o último momento talvez teria que ser com abertura no crânio (e eu teria que raspar a cabeça, isso me deixou quase no desespero, um dos neurologistas calmamente me disse: corte seu cabelo mais curto, pois daí você não sentirá tanto a perda do cabelo, cortei, mas felizmente a cirurgia foi pela virilha.

A expectativa era enorme e os dias que antecederam a cirurgia foram longos. No dia 01.10.2008 finalmente fui submetida a implantação de stent e molas no local do rompimento da artéria, na hora de ir para a sala de cirurgia estava consciente e rezava para tudo dar certo, pois havia o risco de haver mais um rompimento, durante a cirurgia acompanhei a preparação, a chegada do anestesista e do cardiologista, minha pressão estava alta, ouvi a voz do neurologista: vai ter que sedar mais a Adriane, ela está acompanhando tudo e a pressão está subindo, na hora ouvi ele dizer 17 X 15, ele olhou nos meus olhos e falou vamos sedar mais, tudo bem? Falei sim, pois percebi que meu emocional estava completamente abalado e se continuasse daquele jeito fatalmente eu não ia resistir.

Meus familiares que estavam na sala de espera próxima a sala de cirurgia disseram que os médicos vibraram quando o stent se alojou devidamente no local da ruptura. Acordei quando estava saindo da sala de cirurgia e a primeira pessoa que eu vi foi minha irmã Aldaira ela sorrindo dizendo “ocorreu tudo bem graças a Deus”, depois vieram os procedimentos para estancar a hemorragia na virilha, onde é feita a punção para entrada dos aparelhos, lembro até hoje da dor que aquele ferropara estancamento, não lembro do nome desse aparelho. Ao acordar na UTI para a recuperação lembro dos testes pois eu havia perdido um campo da visão nos lados e um estagiário de Medicina da UJFJ aplicava testes e exercícios até eu sentir a recuperação da visão total.

Fiquei mais 3 dias internada e finalmente obtive alta. Fiquei uns dias na casa da minha irmã e depois voltei a minha casa, subindo 4 andares de escada, sentindo que não era mais a mesma pessoa. Antes fazia o serviço de casa sozinha, a partir daquele momento tive que contratar uma pessoa para me ajudar.

Fazia fisioterapia e a partir do momento que estava em casa comecei a perceber os amigos se afastando o ex futuro namorado também se afastou. A memória aos poucos voltava e eu revivia e sofria tudo de novo: a morte do meu marido, da minha mãe, o roubo do meu carro. Pequenos e grandes acontecimentos que ocorreram em minha vida revivi e revivo até hoje.

No dia 30.01.2009 fiz exame de cateterisma onde foi detectado que o aneurisma continua inchado, mas a ruptura controlada pelo stent, eu perguntei ao médico: “então eu tenho uma bomba relógio na cabeça?”. Ele riu e disse mais ou menos isso, mas viva de forma tranqüila, não deixe de tomar os remédios pois cirurgia gora é complicado, você corre o risco de perder o controle motor do lado esquerdo do seu corpo.

Fiquei afastada pelo INSS até o dia 28.02.09, ao retornar ao meu serviço no dia 02.03.2009, animada por estar voltando a ativa, fui informada pelo meu chefe que eu estava demitida pois ele preferia deixar o sobrinho dele no meu lugar. Foi um baque e tanto na minha vida. Mas estou trabalhando em outro lugar e vivendo como uma sobrevivente de um AVC, o pior de tudo é o lado emocional, pois graças a Deus o lado motor e sensitivo está bom.

A última conquista foi conseguir andar de salto alto, pois não estava conseguindo, não tinha equilíbrio ainda e são poucas coisas que tenho dificuldade: descer de escada rolante e escada comum, agachar, mas são coisas que o tempo corrigirá. Pois corrigiu coisas piores.. Um abraço a todos.

Por último meu agradecimento por toda minha vida aos neurologistas: Ronei Vicente, Marco Antonio Cúrzio e Carlos Eduardo Silva e a equipe do hospital João Felício em Juiz de Fora, que agüentaram meus chiliques, mas que principalmente me ajudaram na minha recuperação.

Adriane

Socorro rápido e recuperação


Foi no dia 20 de abril 2008, eu passei um dia otimo com minha familia, fiz churrasco, tomei banho, quando deitei na cama me deu AVC, não tive força pra colocar a outra perna em cima da cama.Eu via tudo so que eu não falava não mexia, eu estava lúcido, a sorte foi que minha filha viu que eu estava passando mal,ela pisou na minha perna e eu não reclamei, ai ela acendeu a luz e chamou a mãe dela, que chamou uma visinha que me socorreu, eu via tudo vi que o carro dela deu defeito perto da rodoviaria sei qual o defeito(tinha acabado o GNV), eu estava lúcido ate chegar no hospital ai eu apaguei.
Eu fiquei 11 dias no CTI aonde que me deu: escarias, trombose na perna direita, perdi a fala, perdi os movimentos do meu lado direito todo, eu não andava, a minha boca ficou dormente, só não afetou a minha área sexual. Eu faço fisioterapia desde o hospital, no dia 24 de abril 2009 eu tive convulsão, desmaiei abrindo a porta para ir fazer fisioterapia, a sorte que a minh a filha de 14 anos que mora comigo tinha saído mais cedo do colegio e me socorreu novamente.
Hoje eu sou independente moro com a minha filha,eu faço musculação, caminho três veses por semana.
Preciso é de arrumar uma namorada, que seja companheira, honesta. A minha companheira( 15 anos de convivencia) não aguentou a doença minha, eu me separei dela, a minha filha quis ficar comigo, as outras duas não tiveram opção, ficaram com a mãe.
Marco A Coutinho

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Homenagem e solidariedade


Duas senhoras – cujas filhas Gerlaine e Eliane, participam da nossa comunidade  – seguiram viagem para serem acolhidas por Deus. 
Fica aqui a nossa homenagem e solidariedade a essas incansáveis batalhadoras, na certeza de que junto aos anjos e estrelas, o amor materno se faz eternamente presente.
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